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GENEROS MUSICAIS DO BRASIL




MARCHA RANCHO

Os ranchos tinham grande influência dos folguedos negros - (como os Cucumbis e Congos, possivelmente trazidos pelos escravos de origem Banto, sudanesa) - e das tradições musicais populares portuguesas, muito difundidas nas camadas mais desassistidas da população carioca.

O desfile de um Rancho Carnavalesco pode ser descrito como um cortejo, com a presença de um Rei e uma Rainha, ao som de uma marcha rancho, acompanhado por instrumentos de sopro e corda, ritmo mais pausado que o samba. Não eram usados instrumentos de percussão. Haviam os mestres, um de Harmonia, um de Canto e um de Sala, responsável pela coreografia.

Os Ranchos desfilavam com porta-estandarte e mestre-sala que tinham que dançar e ficar atentos a qualquer movimento. A enorme rivalidade entre os ranchos podia causar numa situação humilhante, que era a de ter seu estandarte roubado por um componente de um rancho rival. Naquele tempo o mestre-sala desfilava armado de navalha para proteger o pavilhão de sua agremiação. Com as devidas adaptações, o casal responsável pela guarda do pavilhão do grupo também estará presente nos desfiles das escolas de samba

História

A historiografia tradicional do carnaval carioca afirma que os ranchos do Rio de Janeiro descendem dos ranchos de Folia de reis baianos, que saíam normalmente no Dia de Reis. Hilário Jovino Ferreira, em depoimento tardio, afirmou que foi ele quem criou o primeiro rancho carnavalesco no Rio de Janeiro, o Reis de Ouro, após participar do rancho Dois de Ouro, situado no Beco João Inácio. Ainda de acordo com seu depoimento, havia registro de alguns ranchos nesse estilo no Rio de Janeiro anteriormente.

Esta versão, entretanto, deve ser relativizada pois muitos pesquisadores relatam a presença de ranchos nas festas populares (incluindo carnavais) da cidade décadas antes da fundação do Reis de Ouro. Referindo-se aos chamados "ranchos de cucumbys", Mello Moraes Filho afirma que os ranchos existiram no Rio até 1830. Martha Abreu, por sua vez, afirma que os ranchos já existiam no Rio de Janeiro no início do século XIX. Escrevendo em meados do século XIX, Manuel Antônio de Almeida descreve um "um grande rancho chamado das baianas, que caminhava adiante" de uma procissão no centro da cidade. O pesquisador Brasil Gerson, por sua vez, considera que o primeiro rancho carnavalesco teria sido o Rancho das Sereias, surgido no começo da Republica, na Pedra do Sal, na Prainha. A variedade de informações aponta para uma origem incerta para os ranchos. O que se pode afirmar é que nos primeiros anos do século XX, os ranchos se tornaram a grande atração do carnaval carioca, principalmente após o primeiro desfile do Ameno Resedá que estabeleceria o formato da brincadeira carnavalesca, apresentando desfiles descritos como verdadeira óperas populares.

Em 1894, o Reis de Ouro foi recebido no Palácio do Itamaraty pelo Marechal Floriano Peixoto. Em 1911, o Marechal Hermes da Fonseca convidou o Ameno Resedá para visita ao Palácio Guanabara. O ano de 1911 também foi marcado pelo primeiro desfile competitivo oficial, organizado pelo Jornal do Brasil.

Em 21 de fevereiro de 1919 foi criada a Liga Metropolitana Carnavalesca, pelos ranchos, contando como membros fundadores: Ameno Resedá, Flor do Abacate, Miséria e Fome, Unidos da Aliança, Arrepiados, Cangaceiros do Caju, Jasmin de Ouro, Lírio do Amor, Cravina, Estopa e Deusa da Folia.

Com o crescimento das escolas de samba, os Ranchos foram desaparecendo. No final dos anos 50 estavam em total declínio. O último desfile de ranchos aconteceu no ano de 1980, no Rio de Janeiro, e foi vencido pelo Decididos de Quintino.

Em 8 de outubro de 2000, foi criado em Copacabana o rancho Flor do Sereno, com as cores azul, verde e prata, a partir de uma tentativa de estudiosos de reviverem esta tradição aparentemente perdida. Ainda há dúvidas entre especialistas se o Flor do Sereno poderia se configurar como um rancho legítimo, uma vez que não apresenta todos os elementos dos ranchos antigos, e já que foi criado de forma artificial, a partir de uma manifestação popular já extinta há vinte anos.

Referências:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ranchos Bibliografia

• GONÇALVES, Renata de Sá. Os Ranchos pedem passagem. Rio de Janeiro, PPGSA/IFCS/UFRJ, 2003.
• FERNANDES, Nélson da Nóbrega. Escolas de Samba: Sujeitos Celebrantes e Objetos Celebrados. Rio de Janeiro, Coleção Memória Carioca, vol. 3, 2001.
• EFEGÊ, Jota. Ameno Resedá: o rancho que foi escola. Rio de Janeiro, Letras e Artes, 1965.
• ABREU, Martha. O império do divino: festas religiosas e cultura popular no Rio de Janeiro, 1830-1900. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999.
• ALMEIDA, Manuel Antônio de. Memórias de um sargento de milícias. Rio de Janeiro, Expressão e Cultura, 2001.
• GERSON, Brasil. História das ruas do Rio: e de sua lembrança na história política do Brasil. Rio de Janeiro: Lacerda Editores, 2000.
• MORAES FILHO, Mello. Festas e tradições populares do Brazil. Rio de Janeiro: Fauchon e Cia., 1895.

Vídeos:

http://www.youtube.com/watch?v=l9uk7EXR6LA

http://www.youtube.com/watch?v=ZeVmaHogac0

http://www.youtube.com/watch?v=AlP-oONVImw&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=7VYlv5cuH-M

http://www.youtube.com/watch?v=ySrqYtZ0GIU

http://www.youtube.com/watch?v=n72vD9Wtt8Y

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