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GENEROS MUSICAIS DO BRASIL




FORRÓ

Forró é uma festa popular brasileira, de origem nordestina e é a dança praticada nessas festas, conhecida também por arrasta-pé, bate-chinela, fobó, forrobodó. No forró, vários ritmos musicais daquela região, como baião, a quadrilha, o xaxado, que tem influências holandesas e o xote, que veio de Portugal, são tocados, tradicionalmente, por trios, compostos de um sanfoneiro (tocador de acordeão—que no forró é tradicionalmente a sanfona de oito baixos), um zabumbeiro e um tocador de triângulo.

O forró possui semelhanças com o toré e o arrastar dos pés dos índios, com os ritmos binários portugueses e holandeses, porque são ritmos de origem européia a Chula, denominada pelos nordestinos de simplesmente "Forró", xote("Xotis"), o termo correto, e variedades de Polkas européias que são chamadas pelos nordestinos de arrasta-pé e ou quadrilhas. Além do jeito europeu de dançar, essas danças adquiriram também o balançar dos quadris dos africanos. A dança do forró tem influência direta das danças de salão européias, como evidencia nossa história de colonização e invasões européias.

Conhecido e praticado em todo o Brasil, o forró é especialmente popular nas cidades brasileiras de Campina Grande, Caruaru, Arcoverde, Mossoró, e Juazeiro do Norte, onde é símbolo da Festa de São João, e nas capitais Aracaju, Fortaleza, João Pessoa, Natal, Maceió, Recife, São Luís e Teresina, onde são promovidas grandes festas.

Origem do nome

O termo "forró", segundo o folclorista potiguar Luís da Câmara Cascudo, estudioso de manifestações culturais populares, vem da palavra "forrobodó", de origem bantu (Tronco linguístico africano, que influenciou o idioma brasileiro, sendo base cultural de identidade no brasil escravista), que significa: arrasta-pé, farra, confusão, desordem.

A Versão mais verossímil, apoiada pelo próprio historiador Câmara Cascudo, é a de que Forró é derivado do termo africano forrobodó e era uma festa que foi transformada em gênero musical, tal seu fascínio sobre as pessoas.

Na etimologia popular (ou pseudoetimologia) é freqüente associar a origem da palavra "forró" à expressão da língua inglesa for all (para todos). Para essa versão foi construída uma engenhosa história: no início do século XX, os engenheiros britânicos, instalados em Pernambuco para construir a ferrovia Great Western, promoviam bailes abertos ao público, ou seja for all. Assim, o termo passaria a ser pronunciado "forró" pelos nordestinos. Outra versão da mesma história substitui os ingleses pelos estadunidenses e Pernambuco por Natal do período da Segunda Guerra Mundial, quando uma base militar dos Estados Unidos foi instalada nessa cidade.

Apesar da versão bem-humorada, não há nenhuma sustentação para tal etimologia do termo, pois em 1937, cinco anos antes da instalação da referida base, a palavra "forró" já se encontrava registrada na história musical na gravação fonográfica de “Forró na roça”, canção composta por Manuel Queirós e Xerém.

Antes disso, em 1912, Chiquinha Gonzaga compôs Forrobodó, que ela classificou como uma peça burlesca e que lhe valeu, algum tempo depois, em 1915, o Prêmio Mambembe, sendo Mambembe também de origem banto, significando medíocre, de má qualidade.

Discussões à parte, o forró é um ritmo democrático de influências indígenas, africanas e européias, e encanta pessoas de todas as idades e classes sociais, não só no Brasil, mas em todos os lugares do mundo.

Histórico

Os bailes populares eram conhecidos em Pernambuco por "forrobodó" ou "forrobodança" (nomes dos quais deriva "forró") já em fins do século XIX.

O forró tornou-se um fenômeno pop em princípios da década de 1950. Em 1949, Luiz Gonzaga gravou "Forró de Mané Vito", de sua autoria em parceria com Zé Dantas e em 1958, "Forró no escuro". No entanto, o forró popularizou-se em todo o Brasil com a intensa imigração dos nordestinos para outras regiões do país, especialmente, para as capitais: Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.

Nos anos 1970, surgiram, nessas e noutras cidades brasileiras, "casas de forró". Artistas nordestinos que já faziam sucesso tornaram-se consagrados (Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Trio Nordestino, Genival Lacerda) e outros surgiram.

Depois de um período de desinteresse em década de 1980, o forró ganhou novo fôlego da década de 1990 em diante, com o surgimento e sucesso de novos trios e artistas de forró.

Gêneros musicais

O forró é dançado ao som de vários ritmos brasileiros tipicamente nordestinos, entre os quais destacam-se: o xote, o baião, o xaxado, a marcha (estilo tradicionalmente adotado em quadrilhas) e coco. Outros estilos de forró são: o forró universitário, uma revisitação do forró tradicional (conhecido como forró pé-de-serra) e o forró eletrônico ou estilizado (que, para alguns, não é considerado forró).

Artistas consagrados

Existem diversos artistas que, entre outras modalidades, também contribuíram, sejam como compositores sejam como intérpretes, com diversos gêneros do forró. Alguns dos mais destacados compositores brasileiros de músicas de forró são:

• Luiz Gonzaga
• Canários do Reino
• Alcymar Monteiro
• Alceu Valença
• Sivuca
• Elba Ramalho
• Jackson do Pandeiro
• Chico Salles
• Dominguinhos
• Frank Aguiar
• Genival Lacerda
• Marinês
• Rita de Cássia
• Trio Nordestino
• Zé Ramalho
• Flávio José
• João do Vale
Etc...

Estilos da dança

O forró é dançado em pares que executam diversas evoluções, diferentes para o forró nordestino e o forró universitário:

O forró nordestino é executado com mais malícia e sensualidade, o que exige maior cumplicidade entre os parceiros. Os principais passos desse estilo são a levantada de perna e a testada (as testas do par se encontram).

O forró universitário possui mais evoluções. Os passos principais são:

• Dobradiça - abertura lateral do par;
• Caminhada - passo do par para a frente ou para trás;
• Comemoração - passo de balançada, com a perna do cavalheiro entre a perna da dama;
• Giro simples;
• Giro do cavalheiro;
• Oito - o cavalheiro e a dama ficam de costas e passam um pelo outro.
Fonte: Wikipedia

Forró: Identidade Nordestina

Sua dança tão criativa, cheia de requebros e de conchambranças traduz o estado de espírito alegre e participativo de sua gente, nas suas mais diversas manifestações e nos seus momentos mais festivos.

Como o frevo, “folia animada, improvisada e frenética, derivado do frevar” (IN AURÉLIO BUARQUE DE HOLANDA), nascido em meio à irreverência, à ousadia, à necessidade de afirmação popular de suas manifestações folclóricas, religiosas e musicais, ou do desejo de pura diversão das camadas mais humildes, enfrentando inclusive rígidos preconceitos e proibições policiais, todos eles oriundos da classe dominante, parece também, se originou daí, o que chamamos de forró.

Antes, denominado de “baile reles, forrobodó, bate-coxas, rala-bucho, baile popular, bate-chinela, etc.”(IN CÂMARA CASCUDO).

Na Zona da Mata nordestina, o forró se evidenciou nos terreiros das usinas, nas comemorações dos festejos juninos e nos fins de semana, durante o plantio e nos cortes da cana.

Já no sertão daquela mesma região, ele se manifestou nos bailes de pé-de-serra e, na maioria das vezes, em casas de família, para comemorar a chegada das chuvas e as boas colheitas.

E assim se expandiu, tanto pelas cidades do interior, quanto nas zonas do baixo meretrício, também no litoral, em arraiais improvisados, com os foles ou mesmo sanfonas, às vezes de oito baixos, o zabumba e o triângulo, fazendo o nordestino vadiar no bate-coxa até o dia clarear.

A partir de 1946, Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira estilizaram o baião que, até então, era mais precisamente um gênero que se definia como ritmo e modo de dançar da gente nordestina.

Essa mesma gente que, já àquela época, se espalhara e compunha uma grande parte da população do Rio de Janeiro e de São Paulo. Foram, sem dúvida, o disco, o rádio e o êxodo permanente - do que se convencionou como “pau de arara”- os maiores responsáveis pela proliferação dos forrós e arrasta-pés pelo Brasil afora.

O maestro Guio de Morais, nos versos da música “Pau de Arara”, composta em parceria com Luiz Gonzaga e gravada em disco RCA Victor de 12.05.1952, demonstra bem o que afirmamos:

“Quando eu vim do Sertão, seu moço
Do meu Bodocó
A malota era um saco
E o cadeado era um nó
Só trazia a coragem e a cara
Viajando num pau de arara
Eu penei,
Mas aqui cheguei. (Bis)
Trouxe um triângulo
No matulão,
Trouxe um gonguê
No matulão
Trouxe um zabumba
Dentro do matulão
Xote, maracatu e baião
Tudo isso eu trouxe
No meu matulão”.

Dessa forma, na discografia brasileira, tornaram-se abundantes os balanceios, pagodes, miudinhos, chamegos, rojão, saracoteco, samba/forró, xote, baião. Tudo passou a fazer parte do contexto da música de forró ou para forró.

Em 1949, a dupla Luiz Gonzaga e Zé Dantas, lançou em disco RCA Victor, 80.06.68, o baião intitulado “Forró de Mané Vito”, onde se percebem as características do forró, do seu ambiente e de seus freqüentadores:

“Seu delegado
Digo a Vossa Senhoria
Eu sou fio d’uma famia
Qui num gosta de fuá
Mas, trasantonte
No forró de Mané Vito
Tive que fazê bonito
A razão vô lhe explicá.
Quincola no ganzá
Preá no reco-reco
Na sanfona Zé Marreco
Se danaro pra tocá
Daqui pr’ali, pra’lá
Dançava cum Rosinha
Quando Zeca de Soninha
Me proíbe de dançá.
Seu delegado
Sem increnca eu num brigo
Se ninguém buli comigo
Num sô home pra brigá.
Mas nessa festa
Seu doutô perdi a carma,
Tive que pegá nas arma
Pois num gosto de apanhá.
Pra Zeca se assombrá
Mandei pará o fole
Mas o cabra não é mole
Quis partir pra me pegá
Puxei do meu punhá
Soprei no candieiro
Botei tudo pro terreiro
Fiz o samba se acabá”.

Essa foi a primeira gravação em disco, cujo título evidenciava a palavra forró como local de dança. Da mesma forma que, no corpo da letra, podemos sentir que a palavra samba é utilizada indicando esta mesma intenção.

Na década de 50, afirmava-se que “o baião urbano não parece ter sido considerado superior à música tradicional dos sanfoneiros sertanejos, indispensável nas reuniões do povo e que alegrava os forrós de pé-de-serra. E, talvez por isso mesmo, longe de levar à sua extinção, contribuiu para reavivar o gosto do povo pelo seu cancioneiro”.

No final dos anos 50 e, mais intensamente na década de 60, essa modalidade musical foi relegada pelos meios de comunicação que se voltaram para a Bossa Nova, o Rock, o Twist, o Yê, yê, yê e para todo o movimento da Jovem Guarda.

Luiz Gonzaga, entretanto, juntamente com outros nordestinos, mantiveram sempre acesa essa chama, trabalhando “in loco”, visitando forrós e se apresentando sobre caminhões em praças públicas e em comícios, provocando do crítico de MPB, Tarik de Souza, a seguinte frase: “Luiz Gonzaga deu definitiva cidadania nacional aos ritmos do Sertão”.

Pelas bandas desse imenso Nordeste, precisamente no Recife, em Pernambuco, uma fábrica de discos, a Rozenblit, foi a grande responsável pelo resgate e divulgação da música, do folclore, da manutenção da tradição festiva do Nordeste e do nordestino.

Embora precariamente, a princípio, esse agrupamento de nordestinos já dispersados por quase todo o Brasil, que se reuniam visando o folguedo e o lazer, tomou vulto durante a construção de Brasília, quando, de forma mais ampla, se espalharam por todo o Planalto Central e periferia.

Na década de 70, com o advento dos festivais universitários, essa música foi fonte constante de inspiração e, ao lado dos antigos valores, surgiram outros, de camadas sociais mais privilegiadas, provocando a aceitação também, pela juventude, dessas ricas fontes musicais do Nordeste.

E, aos forrós de Mané Vito, de Limoeiro, de Caruaru, de Campina Grande, de Piancó, juntaram, então, muitos outros; alguns mais “Chics”, mantendo, no entanto, o “Cheiro do Povo”, com a boa inspiração dos poetas de ontem, como Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Abdias, Marinês, Rui de Morais, Rosil Cavalcanti, Zé Dantas, Gurdurinha, Zé do Norte, Luiz Queiroga, Ari Lobo, Zito Borborema, Genival Macedo, Genival Lacerda, Miguel Lima, Luiz Vieira, Humberto Teixeira, Rosil Cavalcanti, Jacinto Silva, só para citar alguns e dos de hoje, entrincheirados com novos fuzis: órgãos, guitarras e metais, resistindo, defendendo-se, não deixando “a peteca cair”, e assistindo “a paia avoar” e “o poeirão levantar”.

Entre eles estão Alcimar Monteiro, Dominguinhos, Elba Ramalho, Nando Cordel, Jorge de Altinho, Cecéu , o saudoso Zé Marcolino, Fagner, Carlos Fernando, Maciel Melo Petrúcio Amoim, Santa, Anchieta Dali e muitos outros.

A indústria discográfica brasileira e a mídia eletrônica, misturaram gêneros, motivos de dança e de folclore, o xote, o xaxado, o baião e, até o forró virou ritmo em algumas gravações.

Certa feita, Onildo Almeida afirmou ter o forró conquistado a classe média e desbancado o pagode e o axé. Em importante depoimento foi Luiz Gonzaga quem disse: “o forró, diferentemente dos diversos gêneros musicais brasileiros, tem data, hora e local do seu nascimento, assim como o nome dos pais, certos e sabidos. O parto começou às quatro e meia de uma tarde de agosto de 1945, na Avenida Calógeras, no escritório do advogado Humberto Teixeira, no Centro do Rio de Janeiro, antiga Capital Federal. O trabalho de parto só findou lá para meia-noite, quando vieram ao mundo Asa Branca e Baião”.

Em meados da década de 90 surgiram algumas bandas formadas por universitários de São Paulo e do Rio de Janeiro, destacando-se, entre elas, Falamansa e Forrósacana, arrastando multidões para shows em famosas casas noturnas, a exemplo da KVA e Paulistana.

Muitos desses jovens deixaram a vida universitária para viver de música, o que provocou, por parte da imprensa brasileira, o seguinte comentário: “O forró ganhou, finalmente, diploma universitário”.

Hoje, ele não é apenas local, ambiente ou estilo de divertimento. Em sua carteira de identidade, o forró é o Nordeste alegre e festivo. E, essa identidade é válida em todo o território nacional.

Renato Phaelante da Câmara, Radialista, ator e pesquisador da Fundaj.

Buscar mais informações em: Fontes:

http://www.fundaj.gov.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=16&pageCode=377&textCode=6636&date=currentDate

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