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ESCOLA DE CHORO EM GUAPIMIRIM

UM POUCO DA NOSSA HISTÓRIA


O projeto "CANTO PRA VIVER", OFICINA DE CHORO, é a materialização de um sonho antigo.

Carioca nascido em Cascadura e adotado desde muito cedo pela Tijuca, recebi a música de meu pai (Alcimar) ou pelo sangue ou, desde o inicio de minha contagem de tempo, por intermédio de um cavaquinho que o velho tocava com grande sentimento.

Aos 8 anos, ganhei de minha vó paterna (Dona Clara) um violão e logo entrei para um curso de música. A partir daí, fui conhecendo e me apaixonando por este instrumento tão espetacular.

Influenciado por Álvaro Santos – uma figura humana extraordinária, um primo soteropolitano muito querido e uma das melhores vozes da família – e por Júlio Heitor – outro primo querido, violonista e acima de tudo um amigo – ingressei no Curso de Música Santa Cecícila na rua Mariz e Barros, 72, onde me deparei com uma das minhas maiores paixões, o Choro.

Lá fui lapidado pelo meu mestre Wilson Vidal (violonista 7 Cordas, discípulo do grande Dino e suplente do Darly Lousada no regional do Niquinho), pelo flautista Nerandir Seixas (sem medo de errar, um dos maiores flautistas que já conheci. Pena que ele não quis dar a oportunidade ao mundo de conhecê-lo, mas, quem o conheceu, sabe do que estou falando) e pela não menos maravilhosa Dona Aretuza, a maestra que regia esse curso espetacular e que congregava, em torno de sua simpatia e sensibilidade, um maravilhoso naipe de músicos.

Neste mesmo ambiente, eu tive a oportunidade, de conhecer o grande Canhoto, que, residia na ocasião, segundo o flautista Nerandyr Seixas, na Rua Mariz e Barros, 39 (condomínio Dom Mauricio), em frente ao curso. Nos reuníamos todas as quartas-feiras as 19:00h para uma roda de choro, e, não raro, o Canhoto nos brindava com seu cavaquinho.

Em 1978, trabalhava em um banco, na Av.Lobo Jr., Penha Circular, quando fui convidado por uns amigos para tomar uma cervejinha em um bar onde elas eram bem geladas. Havia também gostosos petiscos e uma música 2/4 que influenciou meus batimentos cardíacos. Era o Choro.

Desse dia em diante (até 1982) não houve uma semana que não fosse no tal barzinho. Era o SOVACO DE COBRA. A minha grande escola. Lá, garoto ainda, tive a oportunidade de dividir o palquinho com nomes como Jorge Simas, outro garoto, que consolidou minha paixao pelo 7 cordas, Tico-Tico (bandolim - primo do Dino), Motinha (bandolim), Ivan (cavaquinho), Bira do Pandeiro, Nanai (violonista que acompanhou Carmem Miranda), entre outros, como os garotos Mauricio Carrilho, Pedro Amorim e a menina Luciana Rabello (com esses últimos, quase certamente, eu compartilhei os poucos metros quadrados do SOVACO DE COBRA). A vida, caprichosa, decidiu me levar para fora do país, afastando-me do meu ambiente favorito. Vivi um tempo em Chicago, onde tive a oportunidade de dividir o palco com a Banda Chicago Samba School e com a flautista Julie Koidin (nasceu americana, mas com o coração pulsando no 2/4 do choro). Voltando para o Brasil, me integrei ao Movimento Artístico da Praia Vermelha, no qual conheci músicos e acima de tudo, amigos, maravilhosos como Jailton Mangabeira (6 cordas), Flavio Feitosa (7 cordas), Dark Davidson (cavaquinho), Didi (voz), Marcos Guida (7 cordas), Lalo (6 cordas), Miguelzinho (cavaquinho), Braz (acordeão), Daniel Neves (7 cordas), Basílio (percursão), Agenor (Pandeiro e Trombone), Manuela Trindade (percussão), citando apenas alguns.

Em setembro de 2004, a mesma caprichosa vida, através de seus dispositivos secretos, me reposicionou no início da minha jornada musical. Fui parar na Escola Portatil de Música, onde meu passado repetiu-se como um filme (um bom filme) e mais uma vez eu pude compartilhar alguns metros quadrados com as mesmas pessoas ou lembranças com quem eu já havia compartilhado no começo. Eu novamente me aproximava dos garotos Mauricio Carrilho, Pedro Amorim e da menina Luciana Rabello, e também fazia meus primeiros contatos com outros de quem me tornei igualmente admirador. É o caso de Paulo Aragão, Pedro Aragão, Jaime Vignoli, Luiz Flavio, Celsinho Silva, César Carrilho e Bia Paes Leme (Deusa Grega da Harmonia). Mais ainda, Altamiro Carrilho, Álvaro Carrilho, Cristóvão Bastos, Hermínio Bello de Carvalho. Ali, se eu visse ao nosso lado Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Abel Ferreira, Dino ou Canhoto, não me espantaria, pois já estaria me sentindo no céu. Foi neste ponto que meu primeiro patrocinador (meu pai), me sugeriu formar grupos e encontros de samba e choro, e ali passar para os amigos o meu amor por esta arte.

Comprei a idéia e imediatamente, com o apoio de amigos como Jailton Mangabeira, Flávio Feitosa, Milguelzinho, Didi Avelino, Lalo, etc., parti para a realização deste projeto. Fiquei muito feliz por ter conseguido. E foi com essa alegria que recebi muitos amigos.

No meio desta estrada, embarcou mais uma bela voz da familia. Um sobrinho despontou com uma voz diferenciada, um timbre especial, e uma estética invejavel. Bruno Caria, professor de canto, administrador do CPV (um promissor violonista, cavaquinista, e sabe-se lá o que mais), e sobrinho querido.

Mais uma vez, "VIDA VEIO E ME LEVOU", e agora as vésperas de me mudar para a linda cidade de Guapimirim, porém prenunciando o BANZO, levo comigo o amor pela música, e o Canto pra Viver. Para minha alegria ser maior ainda, só falta o SOVACO DE COBRA reabrir e se mudar para Guapimirim, e se isso acontecer, desde já, marco um encontro com os saudosos amigos daquela época de ouro.

Peço perdão pelos trocadilhos. Influência do seu Álvaro Carrilho.

Ah! Meu nome é Mário Pedro .


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